Eras vieram e foram-se, marés de tempo que erodiram impérios e transformaram montanhas em pó. Nas profundezas de um jovem e turbulento planeta chamado Terra, uma das Esferas de Luz sentiu o peso esmagador desses milénios. Perdida e solitária, a sua energia dourada, outrora um farol de esperan?a, desvaneceu-se lentamente, como uma brasa a morrer. O seu brilho radiante deu lugar a uma casca ba?a e rochosa, a sua superfície a cristalizar-se numa coura?a protetora que a tornava indistinguível de qualquer outro mineral enterrado na escurid?o. A sua miss?o, a sua promessa sagrada, adormeceu.
Milénios mais tarde, o som de picaretas e o zumbido de equipamento moderno quebraram o silêncio de uma caverna recém-descoberta. Uma equipa de exploradores, com os rostos iluminados pelas lanternas dos seus capacetes, encontrou o que parecia ser um geodo invulgarmente perfeito. Era esférico, com uma simetria que a natureza raramente produzia. Sem suspeitarem do poder cósmico que dormia no seu interior, catalogaram-no como uma curiosidade geológica e levaram-no para a luz da superfície pela primeira vez em incontáveis gera??es.
Semanas depois...
O zumbido baixo e monótono do ar condicionado do Museu de História Natural era a única coisa que mantinha Moisés, de 16 anos, acordado. Para ele, aquela visita de estudo era menos uma experiência educativa e mais um teste de resistência contra o tédio. Enquanto os seus colegas se amontoavam, ruidosos e excitados, em volta do esqueleto colossal de um Tiranossauro Rex, Moisés estava num mundo só seu. A sua aten??o estava focada no seu caderno de esbo?os, um refúgio onde as suas m?os davam vida aos heróis das suas próprias histórias – guerreiros de armaduras brilhantes e feiticeiros a moldar a realidade.
"E agora, turma, se me acompanharem...", disse a professora, a sua voz a tentar sobrepor-se ao burburinho. Ela guiou-os até à mais recente aquisi??o do museu: a exposi??o "Tesouros do Subterraneo".
Lá, isolada num pedestal de vidro iluminado, estava a esfera. A pequena placa de lat?o descrevia-a com uma simplicidade clínica: "Geodo de Composi??o Desconhecida". Para a maioria dos alunos, era profundamente desinteressante. Era escura, sem vida, apenas uma rocha redonda. Eles passaram por ela com a indiferen?a típica dos adolescentes, ansiosos por chegar à loja de recorda??es.
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Mas quando Moisés se aproximou, algo mudou. N?o foi uma decis?o consciente, mas uma estranha e inexplicável curiosidade que o puxou para mais perto do vidro, como se um fio invisível ligasse o seu cora??o ao daquela rocha. Nesse instante, uma vibra??o subtil, quase impercetível, percorreu o ar à sua volta. Uma luz ténue, fraca como uma estrela distante, come?ou a pulsar no cora??o profundo da pedra.
"Est?o a ver isto?", murmurou Moisés para ninguém em particular, os seus olhos arregalados. Mas a sua voz perdeu-se no ruído. Ninguém pareceu notar.
Movido por um impulso que n?o compreendia, ele estendeu a m?o e encostou a ponta do dedo indicador ao vidro frio que o separava do artefacto.
A resposta foi imediata e espetacular.
Como se o seu toque fosse uma chave, uma teia de fissuras douradas rasgou a superfície escura da esfera, libertando a luz que estivera aprisionada durante eras. Um zumbido elétrico, audível e agudo, encheu a sala, fazendo os cabelos da nuca de Moisés se arrepiarem. O artefacto soltou uma cascata de faíscas brilhantes, partículas de ouro que dan?aram no ar como pirilampos mágicos antes de desaparecerem com um estalido suave.
E depois, t?o subitamente como come?ou, tudo parou. O silêncio voltou a instalar-se na sala. A esfera era, mais uma vez, apenas uma rocha escura e inerte. Os poucos que se viraram para ver a causa do barulho viram apenas Moisés a olhar fixamente para a pedra, e rapidamente perderam o interesse.
Mas o sinal foi enviado. A semente tinha despertado.
Longe, para além do véu de estrelas visíveis da Terra, numa cidadela de luz que flutuava no vazio cósmico, uma figura sentada num trono de energia pura estremeceu violentamente. Os seus olhos, que tinham permanecido fechados em medita??o por milénios, abriram-se de rompante, revelando íris de ouro derretido, brilhantes e intensas.
Ele sentira. Através de oceanos de espa?o e tempo, a ressonancia inconfundível tinha-o alcan?ado. A centelha de um novo Magic Dourado tinha sido acesa.
A sua longa e solitária vigília terminara. A sua miss?o recome?ara.

