O térreo da Cidadela agia como base militar de Edel-Füllhorn. Era lá onde ocorriam os treinamentos, o equipamento era armazenado, e as decis?es sobre a defesa da cidade eram tomadas — n?o em grandes sal?es cerimoniais, mas naquele espa?o amplo, vivo e permanentemente em tens?o.
O ambiente lembrava mais um canteiro de obra em funcionamento do que um quartel tradicional.
O teto era alto, sustentado por vigas de pedra refor?adas por estruturas metálicas antigas, marcadas por camadas de manuten??o improvisada ao longo dos séculos. Enormes janelas iluminavam o interior com eficiência calculada,
O som nunca cessava.
Metal batendo contra metal. Ordens curtas sendo gritadas. O impacto seco de corpos se chocando durante sparrings. O chiado distante de mecanismos sendo ajustados. Tudo se sobrepunha num ruído contínuo, organizado demais para ser caos — e intenso demais para ser conforto.
Micah sentiu o cheiro antes de conseguir organizar a vis?o.
Suor velho misturado a óleo. Couro tratado. Pedra úmida. E, por baixo de tudo, um leve odor metálico que lembrava sangue seco… mas diluído, como se fosse parte natural do lugar. N?o havia nojo ali. Apenas fun??o.
Soldados cruzavam o espa?o em trajetórias bem definidas, como se cada um obedecesse a um mapa invisível. Alguns usavam o uniforme negro de Luther; outros vestiam varia??es menos formais, adaptadas ao corpo, com marcas de reparo visíveis demais para serem decorativas. N?o eram soldados de parada. Eram usados. Consertados. Reutilizados.
à esquerda, uma área inteira era dedicada a treinamento físico.
Ali, grupos se revezavam entre exercícios brutos e duelos controlados. N?o havia gritos de incentivo — apenas corre??es secas, imediatas. Quando alguém errava, outro assumia o lugar sem cerim?nia. O ritmo n?o diminuía por ninguém.
Micah percebeu algo estranho.
Entre os combatentes, alguns realizavam movimentos que n?o pareciam totalmente físicos. Um golpe que desacelerava no ar por um instante além do possível. Um impacto que reverberava tarde demais. Um desvio feito antes do ataque come?ar.
Despertos.
Um homem em específico chamou a aten??o de Micah.
Tudo nele era fora de lugar.
Ele n?o usava uniforme ou roupas casuais como seus companheiros. Ao invés disso, usava vestes em camadas de tons terrosos, pretos e brancos, recheadas de padr?es quadriculados, olhos e serpentes ilustradas, parecendo uma mistura quase herege de monge budista com padre ortodoxo. Um rosário de madeira desgastado descansava em seu pesco?o, levando a figura familiar de uma serpente enrolada em uma estaca vertical, símbolo que Micah já associou à Igreja deste lugar.
Tinha a cabe?a raspada e parecia estar próximo dos trinta anos de idade. Sua pele era t?o pálida que beirava o albinismo, mesmo com seus olhos negros refutando a hipótese. Suas orelhas tinham uma descolora??o estranhamente fria.
Quando Micah notou o fato dele estar descal?o, ele viu que — como as orelhas — tanto os dedos dos pés quanto os das m?os dele eram azulados, tal como se o sangue tivesse dificuldade de chegar nesses locais.
O outro soldado era mais rápido do que o monge, mas, de alguma forma, seus golpes ficavam cada vez mais precisos. N?o era como se ele soubesse pra onde seu oponente iria desviar, ou se memorizasse os padr?es dele. Mas que, quanto mais ele repetia os mesmos movimentos, mais inevitáveis eles se tornaram.
A sua repeti??o levava à perfei??o.
O treino acabou quando ele finalmente desarmou seu oponente. Ele se sentou em uma cadeira próxima, arfando em respira??es curtas demais. Gemidos baixos, quase imperceptíveis, também sugeriam algum resquício de dor.
Assim que a luta terminou Dennisorfeu se aproximou do homem, Micah seguiu logo atrás.
— Eae, cabe?a de sinuca! Já fez o polimento matinal?
— Eu já disse pra n?o me chamar disso, seu bebum encalhado! — Respondeu o monge sem hostilidade, cumprimentando-o com um sorriso.
Ele ent?o virou-se para Micah, o apontando com o queixo.
— E esse aí, quem é?
— Ah, esse aqui é zumbi extraterrestre que te falei.
O sorriso imediatamente sumiu de seu rosto, substituído por um olhar emburrado e cuidadoso.
— Micah, esse aqui é o Asáimon. Asáimon, esse é Micah. Agora todos nós fazemos parte do mesmo pelot?o.
Asáimon ergueu uma sobrancelha em dire??o ao Dennisorfeu, meio indignado, meio ofendido.
— Sorfeu, isso é alguma piada de mal gosto?
O bardo deu de ombros, suspirando.
— Gostaria que fosse, mas foram ordens do Duque, n?o há muito que possamos fazer.
O monge encarou Micah.
A sensa??o era que ele pressionava uma faca contra seu pesco?o apenas com o olhar.
Sorfeu limpou a garganta, quebrando o silêncio.
— Pois bem, vou introduzi-lo aos outros membros...
Micah olhou várias vezes pra trás antes de seguir em frente.
Agora sentia aquele mesma faca percorrer toda extens?o de sua espinha.
Mais adiante, o espa?o se abria para uma zona de armazenamento. Fileiras de estantes altas guardavam armas, armaduras e artefatos estranhos, muitos sem identifica??o clara. Algumas pe?as estavam parcialmente desmontadas, como se nunca tivessem sido finalizadas
Havia discos de vidro empilhados em caixas acolchoadas. Bast?es com inscri??es desgastadas. Laminas negras cuja superfície parecia absorver a luz em vez de refletir.
Nada ali parecia feito para impressionar.
Tudo parecia feito para funcionar.
Micah sentiu novamente aquela sensa??o inc?moda no peito — o atraso, o leve descompasso. Algumas pessoas passavam por ele sem sequer notar sua presen?a. Outras lan?avam olhares rápidos demais, calculados demais. Como se ele fosse… uma variável inesperada inserida num sistema fechado.
Mais adentro no arsenal, uma porta levava à uma sala menor. Havia pesos de pedra e ferro, uma barra presa ao teto e até mesmo polias rústicas. Uma fresta próxima ao teto iluminava o lugar, revelando alguém num supino no final da sala.
Grunhidos roucos ecoavam pelas paredes a cada repeti??o, acentuados pela ocasional tosse e o estalido da barra que chegava a entortar de carregar tanto peso. Assim que terminou o set encaixou a barra, sua forma ainda suando enquanto se sentava.
O homem estava sem camisa e possuía pelos por todo corpo. Ele era baixo, mas robusto, esbanjando grandes músculos e uma pan?a humilde. Sua pele levemente bronzeada tra?ava claramente o formato de uma túnica e o cabelo castanho-canela, grosso e pesado, estava preso para trás de forma descuidada, como alguém que só o arruma quando come?a a atrapalhar o trabalho. Havia falhas sutis perto da testa e algumas mechas eram esbranqui?adas próximo das têmporas.
This narrative has been purloined without the author's approval. Report any appearances on Amazon.
Ele levantou-se pra colocar um óculos sutil e retangular sobre seus olhos ambar, possibilitando que Micah enxergasse sua face. O homem parecia estar no fim da meia-idade, com rugas que comunicavam uma vida expressiva e com ausência de raiva. A barba era cheia, mas curta, bem aparada por necessidade, n?o por cuidado, levando um bigode que se fundia à ela, espesso e caído.
N?o havia ornamentos — nenhuma tran?a, nenhum anel. Sua postura comunicava responsabilidade e experiência, mas que poderiam abrir brecha para suavidade.
— Ah, se n?o é o nosso músico. — Disse ele com uma voz grossa, aproximando-se dos dois.
— Me diz aí, como eu posso ajudar meu velho amigo? Finalmente decidiu levantar peso, é? — Concluiu o homem pondo a m?o sobre o ombro do bardo.
Sorfeu deu uma risadinha nervosa, limpando a garganta antes de desviar da pergunta.
— Ent?o, urs?o, esse aqui é o Micah. — Disse ele, saindo do caminho dos dois. — Ele é nosso mais novo recruta.
Os olhos do homem arregalaram, surpreso.
— Essa é nova, n?o sabia que estávamos aceitando kaleorinos.
— é ruivo, mas kaleorino n?o é. Ele é um Migrador. O mesmo que libertou o Desalmado de três dias atrás. — Corrigiu o Dennisorfeu, se recostando contra a parede enquanto tentava tirar uma mancha de vinho do uniforme.
— Mas n?o tinham executado ele? Ele n?o é um Desalmado n?o, né? — Perguntou, recuando um passo e levantando a guarda, desconfiado.
O bardo deu um sorrisinho besta, balan?ando a cabe?a.
— Nahhh... N?o é nada disso. Ele só tem uma Imagem bem diferente. O que ela faz exatamente n?o sabemos, mas de alguma forma ele burlou a morte. A dona da fazenda que o chefe mandou agente investigar diz que “viu ele sair da terra com os próprios olhos.” — Citou de forma cínica, fazendo cara de deboche.
— Entendo...
Ele ainda estava desconfiado, mas se aproximou novamente por educa??o. Ele ent?o levantou sua m?o, em que Micah apertou logo em seguida.
— Sou Thonathaniel Kuhnstahl, mas pode me chamar de Thona.
A m?o dele eram t?o firme que o aperto quase doía.
— Prazer... Sou Micah.
Dennisorfeu se aproximou quando as introdu??es terminaram.
— Thona, ‘cê sabe onde o resto do pessoal tá?
— Se n?o me engano o Capit?o acabou de mandar eles numa miss?o, devem ficar uns dias longe da base.
— Tá, valeu ent?o.
Thonathaniel voltou ao supino, Sorfeu e Micah saíram da sala.
No centro do térreo, uma mesa longa reunia mapas da cidade, maquetes simples e placas móveis marcadas com símbolos coloridos. Oficiais discutiam em voz baixa, apontando rotas, recalculando posi??es. Nenhuma bandeira. Nenhum bras?o exposto.
A autoridade ali n?o vinha de títulos.
Vinha de competência visível.
O bardo deu uma olhada pela fresta da porta antes de fechá-la com cuidado. Ele suspirou e sussurrou em voz baixa:
— Aff... a reuni?o ainda tá rolando, vamos ter que esperar.
Ele sentou no ch?o próximo à uma janela, ajustando e tocando melodias simples sem seu viol?o.
Micah sentou-se contra a parede oposta, abra?ando as pernas em silêncio.
— O Ezra armou pra você, n?o é?
O recruta arregalou os olhos, tirando suas pernas do caminho.
— O-oi?! Como você sabe disso?
Ele deixou o viol?o de lado, olhando para os dois lados do corredor antes de se inclinar em dire??o à Micah.
— Eu n?o confio naquele cara. — Declarou em uma voz baixa o suficiente para apenas o ruivo lhe ouvir. — Toda vez que passo por ele me dá um frio na barriga, sabe? Eu tenho o observado à um tempo. às vezes eu vejo ele comprando escravos, mas, quando dei uma olhada nos registros, a única escrava que ele tem é uma tal de Andora. E também, porque ele moraria aqui? Ele é um conselheiro real, o mais lógico a se fazer seria morar na capital, e as desculpas que ele dá s?o as mais mixurucas que já ouvi! Eu sei que ele tá tramando alguma coisa, mas n?o tenho provas.
Descansou as costas na parede de novo, sua voz voltando ao tom usual.
— Além de que você n?o tem cara nenhuma de psicopata assassino, e olha que já me deparei com vários.
A porta se abriu e Reblis saiu da sala. Dennisorfeu levantou-se de imediato, guardando seu viol?o.
— Capit?o, já podemos come?ar a treinamento?
— Mudan?a de planos, Dennis. Há uma emergência na Fronteira Norte, precisam de Despertos de imediato. O recruta vem junto.
— Huh?! Mas ele nem sabe usar os poderes dele direito, sequer tocou numa espada! — Protestou Sorfeu, confuso.
— O melhor treinamento é a prática, n?o é como se ele pudesse morrer também.
O Capit?o ent?o sumiu pelos corredores, sem prestar mais nenhuma satisfa??o.
O bardo suspirou, co?ando a cabe?a.
— Bem, você o ouviu, né? Vamos.
...
Em algum lugar das Cordilheiras Bronq’des, no noroeste de Luther...
Uma távola redonda de mármore negro residia no centro de uma sala subterranea, iluminada por um grande candelabro de ouro que pendia em seu teto. Três cadeiras de encosto alto rodeavam a távola, e nessas três cadeiras estavam os líderes das Três For?as Revolucionárias:
O Ex-Príncipe-Regente Alarich Von Luther, líder dos Neo-Monarquistas;
A Herdeira do Consórcio Barceniano élise Blackfeller, líder dos Libertários Barcenianos;
E Jean “O A?ougueiro” Leroux dil Charbonpierre, líder dos Republicanos Charbonistas.
O silêncio que se seguiu após os três sentarem n?o era respeitoso.
Era hostil.
A chama das velas acima tremulava de forma irregular, projetando sombras distorcidas nos rostos sentados à mesa — como se cada um carregasse uma segunda face, menos disposta ao acordo.
Foi Jean Charbonpierre quem quebrou o silêncio primeiro.
— Engra?ado… — disse ele, apoiando os cotovelos na mesa de mármore. Sua voz era grave, áspera, como pedra sendo raspada. — Nunca imaginei dividir uma mesa com um Luther e com uma Blackfeller no mesmo dia.
Sua express?o permanecia uma incógnita por trás de sua máscara da comédia. Nem mesmo seus aliados mais próximos chegaram à ver algo além de seus olhos verde-cinzentos. Estranhamente, n?o havia nada aparente que mantinha esse acessório no lugar, como se aquele sorriso negro tivesse se tornado um com o rosto do usuário.
— A História tem um senso de humor cruel.
élise Blackfeller n?o respondeu de imediato. Cruzou as pernas com elegancia estudada e ajustou as luvas de couro fino antes de falar.
— Cruel é chamar de “História” algo que foi, na verdade, administrado por incompetência hereditária. — Seu olhar deslizou para Alarich por um instante breve demais para ser casual. — Mas concordo: esta mesa n?o deveria existir.
Alarich Von Luther manteve-se ereto, as m?os entrela?adas sobre o tampo frio. O rosto n?o denunciava raiva — apenas cansa?o. Mesmo assim, sua aparência permanecia impecável, e seus cabelos, brancos como neve e tran?ados em estilo nórdico, permaneciam perfeitamente sedosos e penteados.
— E ainda assim, estamos aqui. — disse ele. — Porque o atual Rei n?o deixará alternativa.
Jean soltou uma breve risada nasal.
— N?o venha posar de vítima agora, Alteza Caída. Seu sangue ainda corre nas muralhas de Axiêna.
— E o seu nas minas de Charbon. — retrucou Alarich, sem elevar a voz. — N?o estamos aqui para medir cadáveres.
O ar ficou pesado.
Por um instante, pareceu que Jean se levantaria.
Foi élise quem ergueu a m?o, interrompendo-os.
— Chega. — disse, firme. — Se estamos aqui é porque todos concordamos com um fato simples: Luther n?o sobreviverá a mais uma década sob esta Coroa.
— A guerra com Kaelor drena os cofres. — continuou. — A Trégua está por um fio. As cidades est?o armadas demais, famintas demais, conscientes demais.
Jean inclinou a cabe?a, interessado apesar de si mesmo.
— E o povo está pronto pra cortar gargantas.
— Sim. — élise assentiu. — Mas revolu??es sem estrutura viram carnificina. E carnificina n?o governa.
Ela encarou Jean diretamente.
— Você pode incendiar o reino. Mas n?o pode administrá-lo depois.
Os olhos do A?ougueiro se estreitaram. Se seu rosto estivesse visível, é certo de que estaria sorrindo.
— é por isso que você está aqui, n?o é, princesa dos contratos? Pra vender a corda e o nó.
— Para garantir que, quando a Coroa cair — respondeu ela —, este país n?o vire uma anarquia.
Alarich respirou fundo antes de falar.
— E eu estou aqui porque Luther precisa de legitimidade no dia seguinte à queda do Rei. — disse. — Os Duques n?o seguir?o um negroide. O clero n?o seguirá banqueiros. Mas… talvez sigam alguém da linhagem do Profeta.
Jean estreitou os olhos.
— Você quer a Coroa de volta.
— N?o. — Alarich respondeu de imediato. — Eu quero impedir que ela exista como existe hoje.
O silêncio retornou, diferente desta vez. Pensativo.
Jean tamborilou os dedos na mesa.
— Ent?o vamos deixar claro. — disse ele. — Meus termos.
Ele ergueu um dedo.
— Fim da monarquia hereditária. O povo elege seus representantes.
Segundo dedo.
— Anistia total aos prisioneiros de Charbon. Sem exce??es.
Terceiro.
— O desmantelamento do sistema de castas.
élise arqueou levemente a sobrancelha.
— Idealista. — comentou. — Mas aceitável… em partes.
Ela ent?o ergueu sua própria lista.
— Autonomia total do Consórcio Barceniano dentro do reino. — disse. — Direitos de propriedade à todos cidad?os. Fim das taxas arbitrárias da Coroa. E garantia de que nenhuma nova República confiscará bens “em nome do povo”.
Jean riu.
— Você quer uma revolu??o que n?o toque no seu bolso.
— Eu quero uma revolu??o que sobreviva ao inverno seguinte. — rebateu élise.
Todos olharam para Alarich.
Ele demorou antes de falar.
— Meu termo é simples. — disse, enfim. — O Rei atual deve ser deposto publicamente. Julgado. N?o martirizado. N?o santificado.
Jean assentiu lentamente.
— Concordo.
élise também.
A herdeira ent?o retirou um pequeno punhal cerimonial da bainha escondida no vestido verde e pousou-o no centro da mesa. Em seguida, seu mordomo p?s um medalh?o aberto, seu interior esbanjava nove símbolos entalhados em um círculo, todos conectados por canais levemente inclinados que levavam até o centro do objeto.
— Uma alian?a assim só existe com sangue. — disse. — N?o como amea?a. Como garantia.
Jean pegou o punhal sem hesitar e fez um corte raso na própria palma, deixando o sangue pingar sobre os sulcos.
— Pelo povo oprimido.
Alarich fez o mesmo, com gesto contido.
— Pelo fim da Coroa como ela é.
élise foi a última.
— Pela liberdade individual.
O sangue dos três se misturou, preenchendo cada símbolo com o líquido escarlate.
Ela ent?o segurou o medalh?o com as duas m?os e disse:
— De agora em diante, a Revolu??o será uma só. E sob julgo dos Arcontes do universo, esta alian?a perdurará até o fim da Revolu??o.
“Seja esse fim na vitória... ou na morte.”
E com um estalo que ecoou por toda a sala, o medalh?o se fechou sozinho.
Lá fora, acima das montanhas, o vento come?ou a soprar mais forte.
E em algum lugar distante, muito distante,
Algo que ainda se chamava Reino de Luther
Estremeceu —
Sem ainda saber que já estava condenado.

