Treinamento
— Você acredita agora, Kaelen? — falou se virando para minha frente com a brasa no meio da sua m?o.
Eu n?o conseguia falar, era impressionante, agora eu tenho certeza que estou dentro de algum jogo RPG, mas como magia era possível existir ? o que é magia ?
— Sim, pai — consegui murmurar, a voz falhando. — Eu acredito.
Meu pai sorriu. Ele fechou a m?o, e a brasa flutuante se apagou instantaneamente.
— Bom. — falou, e continuou — Agora podemos conversar.
Assim que entramos dentro de casa, meu pai foi em dire??o ao livro aberto que tinha deixado na mesa, se sentou, e voltou a ler, eu ainda n?o estava acreditando no que tinha acabado de acontecer, a dúvida ainda estava aqui
Como pode existir isso ?
— Pai me explica como você fez aquilo — falei
— Prometo lhe ensinar tudo que sei assim que você chegar aos dez anos de idade — falou ainda olhando para o livro
Dez anos ? Ainda falta muito tempo, ainda tenho seis anos e quero aprender magia agora, será que lendo esse livro consigo fazer magia ?
Esse mundo é muito incrível, existem ra?as diferentes, magia e espada, já descobri tanta coisa e nem sai de casa ainda, será que existem dungeons ?
Na minha antiga vida só tinha uma bicicleta e uma família que pouco se importava comigo, em compara??o com essa vida, tenho tudo que queria, e melhor eu n?o fazer feio nessa vida
Um tempo se passou, já era de noite, estava na cama, a magia era incrível, eu poderia fazer muitas coisas com ela, queria come?ar treinar amanh? a magia mas tenho que treinar esgrima com a minha m?e, eu acho realmente desnecessário a esgrima
— Amanh? come?am os treinos de esgrima do Kaelen Theron. — disse minha m?e com uma voz abafada
— Amanh? ? — continuou meu pai — N?o é muito cedo para dar uma espada a ele ?
— N?o acho, acho essa idade ideal para ensinar os princípios da espada — disse minha m?e
— Se você acha Lyra — continuou meu pai — Pelo menos, pegue leve.
Meus pais estavam passando pelo corredor, realmente vou come?ar meus treinos amanh?, que saco n?o queria treinar isso.
A manh? chegou rapidamente, acordei assustado por causa da minha m?e, suspeitava que o sol nem tinha nascido ainda.
— Bom dia, Kaelen. — Ela me deu um sorriso se sentando ao meu lado na cama — Hoje come?amos
— Bom dia, M?e— respondi bocejando e continuei — Entendi, vamos come?ar agora ?
— Sim, Levanta — disse minha m?e
— Mas n?o é cedo demais m?e ? — disse
— N?o, está na hora certa — disse minha m?e se levantando — Venha comigo
Que saco, queria acordar cedo para treinar magia
Minha m?e me levou ao quarto, o mesmo quarto que descobri algum tempo, minha m?e entrou e segurou algo comprido de madeira, parecia ser uma espada mas sem lamina, uma espada de madeira
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— Aqui Kaelen, peque — disse estendendo a m?o para mim
Hesitei, n?o era aquilo que queria, n?o queria ser espadachim e nem cavaleiro, n?o quero ser da linha de frente, n?o quero me arriscar tanto
— Ande Kaelen, pegue — disse minha m?e
Assenti com a cabe?a e peguei a espada
A espada era realmente feita de madeira, mas era pesada, quase n?o consigo empunhar direito, n?o acho que garotos da minha idade tenham que segurar uma espada. Minha m?e pegou uma espada também de madeira e murmurou para irmos lá fora.
Era cedo, muito cedo, estávamos no quintal minha m?e estava vestindo um colete de couro, tinha um do lado dela provavelmente esse será o meu
— M?e você n?o acha essa espada muito pesada ? — disse tentando levantar minha espada
— N?o acho pesada Kaelen — continuou — Você n?o está aguentando uma espada de madeira Kaelen ?
Cara esse meu corpo é pequeno e fraco
— Ela é muito pesada para mim m?e — falei, continuei — N?o tem outra menor m?e ?
— Menor que essas, só tem adagas Kaelen — disse minha m?e
Adagas? n?o sei qual é menos pior, vai ser péssimo se come?ar a treinar com Adagas, iria ficar muito perto dela, ela iria acabar comigo num piscar de olhos, com a espada, pelo menos vou ficar um pouco longe
— Irei ficar com a Espada mesmo — disse tentando levantar ela
Eu e a Espada tínhamos quase o mesmo tamanho, por isso era difícil de manter ela, mas com treinamentos acho que consigo tranquilo
— Certo coloque o colete de couro — disse minha m?e
— Certo — disse correndo em dire??o ao colete
O colete parecia mais um suti? de couro, ele cobria o peitoral inteiro e chegava na minha barriga
Minha m?e estava com sua espada de madeira em m?os. Ela também usava o colete, ela estava com camiseta regata e o colete de couro. Sua postura era imediata, firme e perigosa.
— Escute, Kaelen. Você vai treinar a lamina por um motivo simples, na hora do caos, o corpo obedece ao que você praticou. E você n?o pode morrer por falta de prática. — disse minha m?e
Ela brandiu a arma com velocidade. Eu senti o ar chicotear.
— Vamos lá. Posi??o. Bra?os firmes. Se você cair, levanta. Se fraquejar, repete. — disse minha m?e
Tentei imitar a postura, desajeitadamente.
— Defenda-se. — falou minha m?e
E, sem aviso, ela me atacou com um golpe rápido na perna. Caí no ch?o, gritando de surpresa. A espada de madeira escorregou da minha m?o.
— Novamente! — Lyra gritou, inabalável, sem sinal de pena. — Rápido! Você n?o tem o luxo de ser lento!
Eu me arrastei, peguei a espada e voltei à postura, o corpo tremendo.
A partir daquele ponto, o tempo se desfez em uma sequência torturante de golpes, quedas e corre??es ríspidas. Minha m?e n?o demonstrava cansa?o, parecia um rob? programado para me for?ar ao limite. Ela me ensinou a girar o quadril, a usar a for?a do corpo e n?o apenas dos bra?os frágeis de uma crian?a.
— Postura! Se você lutar com as pernas, você perde! — disse minha m?e
A cada pancada, ela sempre refor?ava a mesma coisa, já estava ficando irritado com isso tudo
Eu caí, levantei, gemi de dor com os baques da espada de madeira em meu colete mas, teimosamente, eu voltava. N?o era por amor à espada, mas por puro orgulho. Eu n?o queria que minha m?e visse fraqueza em mim.
Eu estava exausto, meus reflexos estavam no limite. Minha m?e fez uma investida rápida visando meu flanco. No último instante, lembrei-me de sua instru??o sobre a Postura e girei o quadril, conseguindo desviar da ponta da espada de madeira por meros centímetros. Foi o meu primeiro desvio real.
Antes que minha m?e pudesse reagir à minha esquiva, o som alto de um ronco ecoou pelo quintal.
O est?mago dela roncou.
Minha m?e piscou. Tentei aproveitar a brecha e ataquei com uma investida desajeitada contra a guarda dela.
Ela n?o reagiu com a espada. Em vez disso, desviou pro lado e seu pé embaixo de mim. Senti o impacto no tornozelo e perdi o equilíbrio. Minha m?e me derrubou com uma rasteira limpa e eficiente. Eu caí de costas na terra, sem ar, a espada de madeira caindo longe.
Minha m?e me olhou de cima. O sorriso que ela deu n?o era de maldade ou deboche, era de satisfa??o.
— Basta. Por hoje, é o suficiente. — Ela jogou sua espada no quintal. — O almo?o está pronto.
Minha m?e me estendeu a m?o para me levantar, e eu aceitei. Meu corpo estava dolorido, mas a rasteira havia feito mais por mim do que qualquer serm?o, me mostrou que minha m?e era realmente forte.
Enquanto eu mancava em dire??o à cozinha, sentindo o cheiro delicioso da comida, olhei para a porta do quarto dos meus pais. Eu sabia que o Livro de Canticos do meu pai estava lá dentro.
Quatro anos de espada para manter a mam?e feliz. E ent?o eu pego o livro do Pai e aprendo o que realmente importa.

