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Quando estavam próximos da estátua, Samuel avistou Rhydan o esperando, com uma express?o que misturava urgência e hesita??o.
— Obrigado por vir, humano.
— é Samuel. — corrigiu ele, firme, mas sem hostilidade.
— Desculpe. — respondeu Rhydan, co?ando a nuca, sem gra?a. — Ainda n?o tive a chance de saber seu nome.
Os olhos de Rhydan logo se voltaram para Alex, que estava nos bra?os de Samuel, observando tudo ao redor com curiosidade.
— Por que trouxe esse filhote, Samuel? — perguntou Rhydan, franzindo a testa.
— Ele é meu filho.
Rhydan arregalou os olhos, surpreso.
— Ele é seu filho?! — O tom parecia de incredulidade, mas logo se recomp?s, desviando o olhar. — é... Desculpe. Enfim, venham comigo. Iremos explicar tudo para você, Samuel.
Sem questionar, mas mantendo uma postura alerta, Samuel seguiu Rhydan por uma trilha que se aprofundava na floresta. O caminho era denso e silencioso, com o farfalhar das folhas sendo o único som a quebrar o silêncio. Alex permanecia atento, embora quieto, confiando plenamente na presen?a de seu pai.
Logo chegaram a uma toca escondida entre raízes e pedras. Ao entrar, Samuel percebeu que n?o estavam sozinhos. Um pequeno grupo de lobos estava reunido lá dentro, suas express?es sérias e marcadas por cicatrizes de batalhas e sofrimento. Ele segurou Alex um pouco mais firme, seus instintos em alerta. A desconfian?a n?o era direcionada apenas aos lobos, mas à situa??o em si.
Rhydan deu um passo à frente, como se sentisse a tens?o no ar.
— Desculpe ter sido t?o enigmático antes. Era a única chance que eu tinha de trazê-lo até aqui sem atrair aten??o.
Samuel estreitou os olhos, ainda analisando os presentes.
— Por que você está falando como se eu fosse recusar ajudar vocês?
Antes que Rhydan pudesse responder, uma voz grossa ecoou pela caverna. Era de um lobo alto, com cicatrizes que cortavam parte de seu rosto, dando-lhe uma aparência intimidadora.
— Fala logo, seu idiota! — disse ele, impaciente.
Rhydan suspirou, desviando o olhar, visivelmente desconfortável.
— Tá bom, tá bom! — Ele respirou fundo e come?ou. — Os ca?adores, há alguns meses, come?aram a realizar um experimento... algo que envolvia cristais. N?o era um experimento comum, mas sim algo que parecia... sobrenatural.
— Sobrenatural? — questionou Samuel, sua voz firme.
— Sim. Antes de você aparecer, esse experimento era apenas uma ideia esquecida, algo deixado de lado porque era difícil e n?o havia necessidade. Mas, depois da batalha, quando vocês venceram e eles descobriram que mais um humano com poderes havia surgido, enlouqueceram.
O lobo com cicatrizes interrompeu, assumindo a fala.
— Esses desgra?ados decidiram usar os lobos mais fortes e com maior aura de poder para realizar esse experimento. Tentaram criar um humano com poderes de lobo.
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— Eles tentaram uma vez... — disse outro lobo, a voz embargada. — Minha irm? foi a primeira.
— Tentaram duas vezes. - murmurou um lobo ao fundo. — Yann...
— Tentaram mais de cinquenta vezes. — continuou o lobo com cicatrizes, os olhos fixos em Samuel. - Sempre deu errado. Era um processo agonizante.
Rhydan retomou a palavra, a dor em sua voz evidente.
— Na última tentativa, eles chegaram até quem eu mais amava... Eles diziam que era um experimento para nos tornar mais fortes. Mas, na verdade, colocavam os lobos em uma mesa rodeada por símbolos estranhos e cristais brilhantes. Era uma espécie de ritual. Eles arrancavam a essência dos nossos poderes enquanto ainda estávamos vivos e transferiam para os cristais. Esses cristais emitiam um brilho intenso, como se drenassem nossa alma...
Samuel permaneceu em silêncio, ouvindo cada palavra com aten??o.
— Depois disso, devolviam os lobos para nós. Mas eles n?o eram mais os mesmos. Seus olhos estavam vazios, sem vida, como se suas almas tivessem sido arrancadas. Em menos de um dia, eles morriam...
Outro lobo interrompeu, sua voz trêmula.
— Descobrimos algumas anota??es. Esses cristais sempre saíam impuros e quebradi?os. Os lobos morriam agonizando no processo.
Rhydan assentiu e continuou.
— Na última tentativa, eles acreditaram que haviam conseguido. Transferiram a essência para um ca?ador. No início, parecia que tinha dado certo. Mas tudo saiu do controle.
— O que aconteceu? — perguntou Samuel.
— Quando estávamos fugindo, vimos o ca?ador... Ele estava em chamas, gritando, como se estivesse sendo consumido por uma dor insuportável. — Rhydan engoliu em seco, as imagens ainda claras em sua mente. — Ele queimou tudo ao redor, e ent?o desapareceu.
Samuel permaneceu imóvel, processando as informa??es.
— Ent?o, os ca?adores estavam tentando roubar os poderes dos lobos para si mesmos? — perguntou, com a voz pesada.
Rhydan assentiu.
— Eles sabiam que era impossível. Nenhum humano pode ter poderes. Nenhum... exceto você e o nosso antigo líder.
A tens?o no ar era palpável. Samuel analisava cada detalhe, cada express?o dos lobos ao seu redor, até que algo parecia se encaixar em sua mente. Contudo, ele manteve suas conclus?es para si. N?o era o momento certo para revelá-las.
— Era isso que você queria me dizer? Por que tantos lobos para isso?
Rhydan deu um passo à frente, seus olhos fixos nos de Samuel, como se quisesse transmitir toda a gravidade da situa??o em um único olhar.
— Porque o líder n?o vai parar, Samuel. Ele vai continuar até vencer esta guerra, custe o que custar. — Sua voz estava carregada de uma convic??o sombria. — Só você pode parar ele.
Samuel manteve-se firme, encarando Rhydan sem desviar o olhar. As palavras do lobo ecoavam em sua mente, mas ele permaneceu impassível. Foi apenas quando sentiu o movimento sutil de Alex em seus bra?os, os pequenos olhos do filhote fixos nele com absoluta confian?a, que Samuel respondeu. Ele ajustou Alex em seu colo, sem hesita??o, como se o simples gesto reafirmasse sua decis?o.
— Se é isso que vocês querem... — come?ou, sua postura firme e resoluta. — Eu vou ajudá-los. Mas n?o farei isso sozinho. — Ele olhou para os lobos ao seu redor, sua voz carregando um tom de comando. — Vamos lutar juntos. Todos nós.
As palavras de Samuel pareciam carregar um peso quase tangível, como se cada sílaba fosse uma promessa inquebrável. Os lobos se entreolharam, alguns soltando longos suspiros de alívio, enquanto outros ainda pareciam digerir a magnitude da decis?o dele. Contudo, o momento foi abruptamente interrompido por um som baixo e ressonante que vinha da floresta, como uma explos?o distante.
Todos ficaram tensos, as orelhas dos lobos se ergueram instintivamente, captando a vibra??o no ar.
— Ele está aqui...aquele ca?ador.— murmurou Rhydan, sua voz cheia de dor.
Samuel estreitou os olhos.
— Como você sabe?
Rhydan engoliu em seco, desviando o olhar.
— Eu ainda posso sentir a presen?a de quem eu mais amava nele... Mesmo corrompida, mesmo escondida sob essa... coisa, eu sei que ela ainda está lá.
Samuel permaneceu em silêncio por um instante, absorvendo a profundidade da dor contida nas palavras de Rhydan. No entanto, sua hesita??o foi breve. Ele ergueu o olhar, firme e resoluto, encarando os lobos ao seu redor. Seus olhos brilhavam com determina??o, refletindo a convic??o inabalável de quem já havia escolhido seu caminho.
— Vocês vêm comigo. Entenderam?
Os lobos assentiram, seus olhares fixos nele. O grupo se preparava, o silêncio da caverna agora preenchido apenas pelos passos determinados que ecoavam à medida que saíam, prontos para enfrentar o que viria naquele momento.
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