home

search

Capítulo 2 - Jardim do Éden

  O canto dos pássaros ecoa sobre um belo bosque repleto de árvores. Ao redor de cada uma há amontoados de flores de diversas cores, montando um corredor que se estende formando uma grande espiral.

  No fim da espiral havia uma mulher e seu marido, comandante do quinto maior exército do império. A mulher, no entanto, estava no estágio final da gravidez e seu lugar preferido era o lindo jardim.

  Um banco se encontra no meio do bosque, um lugar circular contornado pelo verde da grama, pequenos insetos e flores.

  O sol se escondia atrás das nuvens e uma brisa suave trazia consigo uma sensa??o fresca e agradável.

  Foi quando a mulher come?ou a sentir desconfortos mais fortes do que o normal. Seu marido pegou-a no colo e a levou até o banco, onde repousou.

  Porém a dor aumentava a cada segundo, seu bebê estava nascendo.

  Ent?o uma borboleta pousou em seu ombro, era roxa com detalhes brancos que a deixavam deslumbrante. Com isso, a mulher se acalmou temporariamente.

  Logo o parto come?ou.

  Os gemidos de dor eram altos, assim como gritos, e seu corpo sangrava enquanto perdia a sua consciência. Seu marido estava relativamente perdido, já que nunca tinha presenciado um nascimento antes.

  Sua barriga contraia e suas lágrimas escorriam, o lindo cabelo ficou desarrumado e suas roupas manchadas.

  Vários animais chegaram, desde coelhos até águias, e se atentaram para a mulher. A borboleta permaneceu ao seu lado durante todo o tempo.

  O esposo estava mais nervoso ao passar do tempo, tentava ajudar acalmando-a mas era de grande parte inútil.

  Mesmo assim, sua inten??o deixou a mulher mais sentimental.

  As nuvens no céu rapidamente se espalharam para os cantos, abrindo um forte sol que iluminava somente o círculo onde estavam.

  Nascia uma linda garota.

  Seus poucos fios de cabelo ruivos resplandecia o sol, seu olho azulado é como os oceanos e seu rosto n?o tem deformidade alguma.

  E choramingava muito, os animais dialogavam com suas próprias espécies ao verem a crian?a. A borboleta voava de frente aos olhos do bebê, que estendeu seu pequeno bra?o e a fez pousar em seu dedo indicador.

  - Misti, bem vinda minha filha.

  O pai falava emocionado beijando o topo da cabe?a de sua filha.

  Assim foram seus dias pós nascimento: um verdadeiro conto de fadas.

  - Mistizinha, já está na hora de acordar.

  Minha m?e me acorda todos os dias trazendo frutas para o quarto, meu corpo pequeno ainda n?o me permite fazer muitas coisas.

  Na verdade, estava acostumada com um corpo forte em outro mundo, porém ainda me lembro da morte de todo o meu antigo grupo e de mim mesma. Porém um homem gentil me salvou sacrificando sua própria vida, seu nome era Yaso.

  Yaso é a pessoa que eu amei.

  Nunca tive grandes oportunidades para falar o que eu sentia, além de n?o saber se ele aceitaria aquilo ou n?o. A rejei??o poderia até trazer a ruptura de todo o grupo de herois.

  Mas... por que ele escolheu me salvar?

  Talvez eu era a única viva em toda aquela sala lotada de corpos, ou será que ele também gostava de mim?

  Eu quero encontrá-lo mais uma vez.

  Ent?o comecei a ler diversos livros para entender como é esse mundo. Os deuses fazem maculados de marionetes para tentarem conquistar o mundo, matando os que s?o de outra divis?o para diminuir o número de bem absoluto ou governantes.

  Porém uma história chama muita aten??o.

  Muitos anos atrás, um ser do submundo ascendeu sobre as na??es de todo o planeta, transformando-se de humano em deus. E seu nome era Kekos.

  Reinou os humanos e todas as outras ra?as que aqui existem, dizimando a quem o contradisse e sendo um tirano sobre os mares.

  N?o era como a aparência de um dem?nio, mas belo de cabelos loiros e que usava vestimentas luxuosas, uma vez que nasceu em uma família rica.

  Seu pai era rei de uma por??o inteira, alguém honesto e justo com seu império.

  No entanto, foi morto pelas m?os de seu filho.

  Kekos foi ganancioso, culpou outros reis de assassinaram seu pai para assumir sua posi??o. Sua m?e já havia partido por uma doen?a mortal que a assombrava durante seus curtos trinta e dois anos que viveu.

  O deus governante mais forte viu sua vontade e entrou em seu corpo.

  Até que um homem nasceu, sua infancia foi como um conto de fadas. Virou guerreiro forte e inabalável, tendo o deus da observa??o ao seu lado: O bravo Sotris.

  E, ao topo de um penhasco, usou seu pacto com o deus para selar Kekos eternamente.

  Porém isso é tudo que os livros contam, muitos o veem como um verdadeiro salvador.

  Eu vou me tornar forte como ele!

  Foi isso que matutei durante anos, até conhecer um garoto, vizinho de minha casa, chamado Sonno que passou por vários problemas. Nossas famílias sempre se ajudaram, e n?o foi diferente depois da destrui??o de parte da sua casa.

  Apesar de ser apenas alguns meses mais velho, ele aparenta ser uma pessoa complicada, seu rosto demonstra estar sempre enfurecido.

  Me lembro de Yaso sempre que o vejo, talvez seja pelo fato de serem completos opostos: era sorridente, animador e quem juntava todo o grupo para qualquer atividade. Já o olhar de Sonno é de julgamento, n?o brinca com nada e fica apenas olhando para o nada.

  Igetis, meu pai, é grande amigo de Grannus por terem crescido juntos em meio a uma guerra civil, ficou altamente emocionado quando ficou sabendo do atentado injusto.

  If you stumble upon this narrative on Amazon, it's taken without the author's consent. Report it.

  A injusti?a n?o acontece só nesse mundo.

  Quando Sonno nasceu, minha m?e, Khatah, auxiliava Emma por conta das rotinas de healer na cidade, o que acabou criando uma rela??o entre nós. Embora eu n?o vá muito com a cara dele.

  Algumas vezes recebíamos suas visitas em nosso rancho, uma pequena fazenda com uma chácara de madeira escura no meio.

  E todas as vezes que estava junto de alguém da minha idade, somente ele, me lembrava de Yaso.

  Ent?o criei uma nova meta.

  N?o vou ser forte somente para me igualar a deuses, vou encontrar Yaso e protegê-lo nesse mundo!

  Era uma manh? ensolarada. As folhas dos arbustos tocavam o ch?o lamacento, molhado pela garoa da noite. As aves bebiam dessa água.

  Eu corria pela floresta com Sonno. Goste ou n?o, ele é a única pessoa com quem ainda fa?o amizade nesses últimos anos.

  — Te peguei! — falei, encostando no ombro dele enquanto tentava fugir.

  — Eu estava quase escapando... você ganhou dessa vez.

  — N?o fala como se ganhasse sempre. A gente deve estar empatado.

  — Mesmo assim, você n?o consegue me acompanhar.

  — Eu vou treinar até ser muito mais forte que você!

  E é verdade. Sonno ficou muito mais forte desde que meu pai come?ou a treiná-lo. Mesmo fazendo tudo igual, ainda n?o consigo me comparar a ele.

  A habilidade dele é mais psicológica, por causa da inteligência, mas o físico também impressiona.

  Talvez os quatro meses de diferen?a entre a gente fa?am alguma diferen?a...

  — Ei, Misti... você acha que pessoas ruins s?o muito poderosas?

  Ele perguntou olhando para o reflexo no rio. Um peixe alaranjado passou, parou por um instante e me encarou.

  Sentei ao lado dele.

  — Se fossem fracos, teria gra?a querer derrotá-los?

  — Isso n?o faz sentido... ainda mais porque você n?o tem motivo pra querer isso.

  — é algo que vem de dentro. Parece uma vontade de me vingar de alguma coisa.

  — Eu entendo...

  De repente, um peixe muito maior surgiu e engoliu o alaranjado. Os dentes dele destruíram aquelas belas escamas num instante.

  — N?o existe justi?a entre as vidas... nem entre os animais, nem entre pessoas, nem com meu pai.

  — Misti... eu vou livrar o mundo dessa maldi??o. Nem que eu tenha que eliminar todos os que cometem esses pecados...

  Os olhos de Sonno brilharam. Uma marca apareceu ao redor do seu olho direito: com quatro pontas, parecida com setas. Já tinha lido sobre algo parecido — a marca de um deus em seu maculado. Mas nunca vi uma ao redor dos olhos.

  O cabelo dele come?ou a se levantar, como se desafiasse a gravidade. Sua express?o era de dor.

  — Sonno! — gritei, segurando o rosto dele com as duas m?os.

  Senti uma press?o forte, como se algo quisesse me esmagar. Mas aos poucos ele se acalmou, a press?o diminuiu e seus olhos voltaram ao normal.

  A grama, que se agitava com o vento, também se acalmou.

  Ent?o ele caiu desmaiado nos meus bra?os.

  Usei a técnica de regenera??o interna que aprendi com a m?e dele. é uma magia que fortalece e cura por dentro. Formei um círculo de vento com as m?os. é difícil, gasta bastante energia.

  Coincidentemente, vários animais estavam observando.

  Minha for?a chegou ao limite.

  Foi quando uma borboleta roxa pousou no peito de Sonno. Ele abriu os olhos.

  — Sonno! Você tá bem? — me aproximei demais do rosto dele.

  — A-Acho que sim... o que aconteceu?

  — N?o sei direito. Mas n?o parecia você.

  — Me diz uma coisa, Sonno... você é um maculado?

  Meu cora??o acelerou sem motivo.

  — Sim... me desculpa por esconder isso. Descobri faz pouco tempo.

  Senti que estávamos sendo observados... como se dezenas de olhos predadores estivessem em volta.

  Mas, ao mesmo tempo, me senti segura ao lado dele.

  N?o.

  Eu n?o quero ser protegida outra vez.

  N?o quero ser um fardo. N?o quero que ninguém sofra por minha causa.

  — Acho que agora vai ser mais difícil te alcan?ar...

  O céu se cobriu com nuvens escuras. Come?ou a chover.

  Lembrei de uma antiga lenda: quando alguém descobre um maculado, uma tempestade come?a.

  — Sonno, preciso ir pra casa. Melhor você ir pra sua também.

  Ele n?o questionou. Apenas foi.

  Minha casa era perto do rio, cheguei rápido.

  Fiquei pensando nisso por vários dias, mas minha rela??o com ele n?o mudou.

  Ainda n?o gosto do jeito dele.

  Foi ent?o que percebi: faltavam só três dias pro meu aniversário.

  Logo os medos passaram. Pensei em vários pedidos de presente, mas no fim queria só uma espada nova.

  Muita gente ainda julga mulheres que usam espada, como se n?o tivéssemos capacidade. Mas eu quero ser como os que est?o ao meu redor.

  — Pai, o senhor sabe que meu aniversário tá chegando, né?

  Estávamos ca?ando na floresta depois do treino da manh?.

  — Claro que sei, filha. Já quer o presente?

  Ele colocou a m?o na minha cabe?a e fez carinho. Uma sensa??o nova. Algo que nunca tive na outra vida com meu "pai".

  Na infancia passada, meu pai era um monstro. Bêbado, violento... batia em mim e na minha m?e sem motivo. Era absurdamente forte. Uma vez amea?ou me matar com uma faca. Eu tinha só doze anos.

  Na outra vida, só quis ser forte depois dos vinte.

  Mas nessa vida eu renasci com um propósito: reconstruir tudo que me tiraram. E consertar tudo que tirei dos outros.

  Yaso...

  — Você tá me encarando faz um tempo e n?o disse nada, Misti.

  — Quero uma espada nova! De verdade!

  — Crian?as n?o se contentam mais com espada de madeira? Na minha época era o máximo...

  — Vamos comprar agora! N?o quero te deixar esperando!

  Fiquei feliz até a gente sair da floresta. De novo, senti como se vários olhos me observassem.

  O mal-estar aumentou. Me deu vontade de vomitar — e eu vomitei.

  — Misti!

  Essa foi a última coisa que ouvi.

  Sabia que estava sonhando. Estava no alto de uma montanha, olhando uma floresta imensa.

  Ao meu lado, uma figura branca, sem rosto, mas que eu amava profundamente. Era como se a conhecesse há muito tempo.

  — Os animais da terra, os do mar, as aves... tudo é t?o lindo, n?o acha?

  A voz era estranha. Nem masculina, nem feminina.

  — Sim...

  — Toda a cria??o é perfeita. Mas os humanos... s?o a única falha.

  Me virei.

  — N?o sei o que você quer comigo, mas n?o vou aceitar tudo que diz.

  — Só quero te ajudar. Precisa confiar em mim.

  — Você vai ser morta por alguém que ama, em breve.

  — E n?o pense só no sentido literal.

  Fiquei paralisada. O cora??o disparou.

  — Por falar nisso...

  A figura se aproximou, me pegou pelos bra?os e me jogou do penhasco.

  — Bons sonhos, Misti.

  Acordei na cama. Meus pais estavam ao meu lado.

  — Finalmente acordou!

  Peguei uma febre forte ao sair da floresta, mas melhorei rápido. Afinal, o grande dia chegou.

  Era meu aniversário de oito anos.

  Ganhei uma espada com adornos lindos e desenhos de folhas na lamina. Treinei o dia todo. Até lutei com meu pai — e perdi.

  à noite, fizemos um banquete com Sonno e a m?e dele. A mesa estava cheia de comida deliciosa.

  Mas minha m?e... n?o sorriu em nenhum momento.

  N?o perguntei por quê. Talvez fosse dor, ou cansa?o.

  O dia foi lindo.

  A noite foi horrível.

  Como sempre, meus pais me deram um beijo de boa noite.

  Quando minha m?e segurou meu rosto, senti algo estranho. Como se o ch?o sumisse e eu estivesse prestes a cair.

  — Bons sonhos, Misti...

  No dia seguinte, ela n?o estava mais lá.

  Minha m?e me abandonou.

  Senti raiva. Culpa. ódio.

  Eu vou encontrar ela. Preciso saber por que me deixou.

  Mas isso n?o quer dizer que vou perdoa-la.

Recommended Popular Novels